Ensino a distância atrai 1 em cada 5 estudantes PDF Imprimir E-mail
Sérgio Marcelo Paiva
Escrito por O Estado de S.Paulo   
Qui, 15 de Abril de 2010 11:18

Dados do Ministério da Educação mostram que um em cada cinco novos
alunos de graduação no País ingressam em um curso a distância. Ou seja:
cerca de 20% dos universitários já estudam entre aulas na internet e em
polos presenciais. Os números indicam um rápido avanço da modalidade,
ainda pouco conhecida da maioria da população.

O grande impulso para o crescimento do modelo semi-presencial – apesar
do nome, aulas totalmente a distância são proibidas pela legislação –
foi dado pelo próprio governo, com a criação da Universidade Aberta do
Brasil, em 2005. A instituição tem 180 mil vagas em cursos superiores
oferecidos em parceria com universidades federais.

No mês passado, a Universidade de São Paulo (USP), que até então
resistia em adotar o modelo, lançou junto com o governo do Estado seu
primeiro curso a distância, uma licenciatura em Ciências voltada também
para formação de professores. A primeira turma a distância da
Universidade Estadual Paulista (Unesp) começou suas aulas neste semestre.

“Os estudantes são atraídos pela versatilidade, modularidade e
capacidade de inclusão que a metodologia oferece”, afirma o pesquisador
Fábio Sanchez, autor do levantamento e um dos coordenadores do Anuário
Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância. Por outro lado,
a modalidade exige autonomia do estudante, porque as aulas são
construídas por meio de tecnologias como fóruns de discussão,
videoconferências e chats pela internet.

Algumas avaliações também podem ser feitas online, mas as provas devem
ser presenciais, assim como parte do conteúdo das aulas e atendimentos
com os professores. “A tendência é que a educação presencial e EAD se
misturem cada vez mais no futuro”, afirma Sanchez.

Por enquanto, o modelo a distância tem mantido taxas altas de
crescimento (50% ao ano, em média), enquanto o avanço da graduação
presencial tende a se estabilizar (3,5% em 2008). Além da presença forte
no setor público, diversas universidades e faculdades privadas adotaram
nos últimos anos o modelo a distância, tanto na graduação quanto na pós.

“A graduação EAD vai crescer cada vez mais porque o presencial não
consegue atender todo mundo”, explica Marta Maia, professora da Fundação
Getúlio Vargas em São Paulo e membro do conselho científico da
Associação Brasileira de Ensino a Distância. “A modalidade atrai pessoas
que trabalham para sustentar a família, têm mais de 30 anos ou que moram
em cidades onde não há universidades. E no Brasil há muita gente com
esse perfil.”

Desempenho. Na avaliação do o secretário de Educação a Distância do MEC,
Carlos Eduardo Bielschowsky, o Brasil ainda passa por um processo de
aceitação e conhecimento do que é a modalidade. “A EAD é um fenômeno
mundial e aqui no Brasil ainda demorou para se estabelecer.” Ele cita o
resultado das avaliações do ensino superior conduzidas pelo ministério
que mostram desempenho semelhante e em alguns casos superior dos
estudantes de EAD em relação ao alunos de cursos presenciais.

Mesmo assim, há resistência de gestores que organizam concursos públicos
e conselhos de classe. Em fevereiro, a Justiça Federal suspendeu uma
resolução do Conselho Federal de Biologia que proibia a concessão de
registro profissional para alunos formados a distância.

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