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Educação é um valor defendido por todos. No Brasil, então, parece que não teríamos grandes problemas se o sistema educacional funcionasse. Em nosso campo de trabalho, as organizações, vivemos às voltas com a falta de talentos e com a parcimônia das competências necessárias ao cumprimento dos objetivos. Paradoxalmente, quando a crise chega... Se a educação é uma questão de consciência, que paradigmas deveriam nortear as ações profissionais a partir (e muito além) dos mecanismos que as estruturas organizacionais nos colocam à disposição? O que parece estar faltando é a conexão de todas as tecnicalidades ferramentais com o contexto socioeconômico e condição humana, seu engenho e arte. A revisão de alguns paradigmas por todos os que convivem nas organizações poderia fazer-nos repensar a importância em transformar um valor em prática. Paradigmas da educação para resultados 1 Educar é um dever individual inalienável O profissional precisa assumir a responsabilidade educacional independente de sua posição e de a organização criar aparatos facilitadores, como cursos e correlatos. Em todos os momentos há oportunidades de ensinar e aprender.
2 Quem ensina, aprende. Há um círculo virtuoso: quanto mais o profissional se engaja, mais aprende e aumenta o retorno em seu capital educacional. É bom para todos. 3 Educar é uma competência essencial A pessoa, ao produzir comportamentos, reflete suas próprias capacidades, isto é, seu poder de praticar virtudes. Isso não tem hora nem lugar. É parte intrínseca das abordagens de trabalho.
4 Só se educa para mudar A transformação é a essência da educação. Quando alguém ensina algo a outrem está movimentando mecanismos de mudança, desde o nível individual até a organização total.
5 O diálogo gera produtividade, não a transferência do conhecimento. O processo dialógico, que reconhece e incorpora a diversidade criadora, traz a riqueza da contribuição do outro e leva a resultados superiores.
6 Todos são líderes na iniciativa de educar. Em qualquer situação de trabalho, nas relações em todos os sentidos, no interior e com os parceiros externos, qualquer um pode liderar no processo ensino-aprendizagem. Trata-se de um processo ahieráquico.
7 Um problema que merece intervenção educacional deve ser visto em perspectiva multidimensional. Não basta agir sobre o texto de uma circunstância; sempre há um contexto que o condiciona e a ação educacional deve contemplar as intersecções entre a parte e o todo.
8 A capacidade de aprender está associada à possibilidade de realizar. Ninguém aprende para o vazio. É um direito de o aprendiz colocar em prática o que aprende, em execução de tarefas e ampliação de seu escopo humano.
9 Uma cultura organizacional com base em educação sabe melhor como agir em momentos de crise econômica. A competência das pessoas em adotar os comportamentos necessários em momentos de crise é diretamente proporcional ao capital investido em educação de seus quadros.
10 Em nosso país, com imensa disparidade social e econômica, as organizações se legitimam quando privilegiam o desenvolvimento das pessoas. Não existe aumento de produtividade sem o correspondente em crescimento humano, pois é no trabalho que as pessoas crescem, se relacionam com padrões, garantem sua subsistência e produzem riquezas materiais e existenciais. A educação é a mola mestra da convivência produtiva.
A educação nas organizações é uma parceria onde todos estão naturalmente envolvidos. Os principais líderes, por sua capacidade de influenciar resultados, têm um papel diferenciador , de aproveitar as oportunidades presentes e futuras e gerar resultados. Ora, se deve ser empreendedor em seus negócios, por que não também em educação, que é a geradora do pensamento criativo e ativadora da sinergia na organização? (*) Luiz Augusto Costa Leite é Sócio da Change Consultoria de Organização e Coordenador do Comitê de Criação do Conarh.
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