Resumo: A Educação a distância (EaD), não obstante inúmeros avanços obtidos nos últimos anos, enfrenta desafios de toda ordem, entre os quais se destacam os mitos que a cercam, principalmente nos meios não especializados nesta modalidade. Este artigo procura enfocar, do ponto de vista do público-alvo leigo em EaD e que deseja se aprimorar cognitivamente, os principais aspectos envolvidos na decisão de se estudar a distância.
A Educação a distância (EaD) está cada vez mais se firmando no Brasil e no mundo como uma modalidade de educação capaz de equacionar o desafio do aprendizado contínuo e de proporcionar uma adequação espaço-temporal que melhor se ajuste às modernas necessidades dos aprendentes.
Há um esforço consistente por parte de setores pertencentes a inúmeras instituições de ensino públicas e particulares, bem como do Governo Federal, no sentido de aprimorar e expandir a oferta de vagas e de garantir a qualidade dos cursos a distância ofertados.
Entretanto, os mitos acerca da facilidade da EaD e de sua pouca profundidade, comparativamente com cursos presenciais e tradicionais, ainda permeiam grande parte dos debates que são travados entre leigos sobre a qualidade de cursos a distância e da possibilidade de realizá-los.
Como, do ponto de vista do público-alvo pouco familiarizado em EaD e que esteja buscando se aprimorar cognitivamente, vencer com segurança as inúmeras dúvidas sobre a possibilidade de tornar-se um aluno a distância?
Este artigo, utilizando a técnica da linguagem dialógica (bastante comum em textos veiculados pela EaD), tem por objetivo enfocar os principais aspectos envolvidos na decisão de se estudar a distância e de se escolher o curso mais apropriado.
Você ainda tem dúvidas se vale a pena realizar um curso a distância? Volta e meia ouve que educação a distância (EaD) é muito fácil e que ensino de qualidade é só com giz e quadro-negro? Mas então, como saber se determinado curso a distância é bom? Como avaliar os seus custos? E, o principal, será que você está preparado para este desafio? Estas são as questões que refletiremos juntos, do ponto de vista que realmente importa %3 o seu. Começemos pela falsa percepção de que a EaD seja mais fácil do que a educação presencial. A conveniência do aluno estipular seus horários, um dos grandes trunfos da EaD, esconde uma armadilha: ou você se organiza no tempo (com horários flexíveis, porém constantes) e no espaço (com o imprescindível-e-quase-impraticável local de estudo apropriado), ou as atividades e os prazos se acumulam impiedosamente, transformando-se em baixo rendimento e engordando as estatísticas de desistência desta modalidade de ensino.
A EaD iniciou-se na Inglaterra do Séc. XIX, veiculada pelos correios. Até os dias de hoje, muitas críticas continuam se referindo aos conteúdos %Cresumidos%D da EaD e à Ïalta de contato pessoal%D. Tais argumentos desconsideram as pesquisas para a evolução da tutoria a distância e das ferramentas de interação, o uso da linguagem dialógica e muitos outros aperfeiçoamentos pedagógicos e tecnológicos voltados para a elaboração de cursos de qualidade.
Aliás, na sua opinião, o que é um bom curso? Como se dá um aprendizado eficaz? Teorias pedagógicas a parte, convença-se de que o principal agente da sua aprendizagem é você mesmo. A qualidade do ambiente sensorial certamente é importante, mas no final das contas, o futuro profissional será avaliado muito mais por seus méritos do que pelos do seu curso e instituição. A única maneira de demonstrar-se as competências adquiridas por meio da EaD é impondo-se pelo conhecimento, valorizando-se e transformando para melhor as suas relações com o mundo.
Vamos tratar agora sobre a avaliação de um curso a distância: qual a credibilidade e a experiência da instituição nesta área? E a qualificação do corpo docente? E quanto à abordagem pedagógica e às metodologias utilizadas? Quais são os materiais didáticos? Há um ambiente virtual? Os prazos estipulados possuem flexibilidade? Como funciona a tutoria? E a interação entre os alunos? Será que o curso é reconhecido pelo MEC? Procure obter estas respostas, antes de qualquer decisão.
E que tal refletirmos sobre os aspectos financeiros? Os custos de se estudar pela EaD tendem a ser mais atrativos que os dos cursos presenciais. Descubra, porém, se além das atividades a distância, não estão previstos momentos presenciais, pois estes deslocamentos envolvem gastos adicionais.
Outros possíveis custos: você terá que adquirir um computador, ou atualizá-lo? Haverá a necessidade de um acesso à Internet por banda larga, ainda oneroso, caso o curso utilize videoconferências e discussões diárias em fórums e chats? Você terá que comprar muitos livros? E quanto às apostilas? Quem arcará com as despesas decorrentes das impressões? Passemos agora à auto-avaliação, talvez o principal dos aspectos a serem considerados. Quais são os seus fins? Você deseja apenas obter o diploma, visando talvez um aumento salarial ou mesmo reconhecimento social, ou sua expectativa é a de ampliar os horizontes profissionais, incrementando as competências já adquiridas e se apropriando de outras, ainda latentes? Tente localizar a sua resposta entre estes extremos.
Você possui os pré-requisitos para estudar a distância, ou precisa adquirí-los? Tem hábitos de estudo? Lê regularmente? Verifique a sua adaptação às características do curso: você se considera digitalmente alfabetizado? Caso seja necessário, saberá acessar e pesquisar na Internet? Você terá problemas, caso o curso exija leituras extras em outro idioma? E quanto ao apoio da sua instituição? É provável que, mesmo ela destinando horários para o seu estudo, estes períodos sejam insuficientes e você tenha que abrir mão de muitas horas de lazer para o seu aprimoramento.
O que nos remete à questão da conscientização familiar. Seus entes queridos estão preparados para conviver, quase todas as noites, com alguém envolto em livros, computador e muitas das vezes com a linha telefônica ocupada? Converse longamente com eles, pois os mesmos serão participantes indiretos do seu curso. Eles devem compreender que serão elementos-chave do seu sucesso nos estudos!
Conclusões
E então? Vamos fazer um curso a distância? Vencer os preconceitos que envolvem o assunto, avaliar o curso desejado e os custos envolvidos, empenhar-se em uma auto-avaliação rigorosa e na conscientização familiar são os aspectos fundamentais para esta importante decisão. Procure sempre se aprimorar, encarando a EaD como mais uma ferramenta para o seu sucesso. E descobrir como empregá-la é o que faz a diferença. Faça a diferença!
Por: André Frangulis Costa Duarte: Capitão do Exército Brasileiro; mestre em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais; especialista em Gestão da EaD pela Universidade Federal de Juiz de Fora; especializando em Gestão Estratégica de RH pelo Centro de Estudos de Pessoal e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atuou durante oito anos como educador de jovens militares nos aspectos cívico-sociais e como instrutor de assuntos militares. Atualmente, orienta jovens do Ensino Médio no Colégio Militar de Juiz de Fora.
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